Inverno A exposição prolongada ao frio está associada a menor umidade, temperaturas mais baixas e maior exposição ao aquecimento interno, fatores que reduzem o teor de água da pele. Essa combinação prejudica a barreira cutânea e aumenta a suscetibilidade a diversas dermatoses. Entre as mais comuns estão a xerose simples, a dermatite atópica e as frieiras. Embora essas doenças difiram em causa e manifestação clínica, compartilham o efeito subjacente da redução da função de barreira e da alteração da microcirculação durante os meses frios.
O que caracteriza a xerose invernal?
A xerose é uma das queixas mais frequentes durante as estações frias. Algumas diretrizes dermatológicas descrevem a xerose como resultado da organização lipídica prejudicada no estrato córneo, do enfraquecimento da barreira cutânea e do aumento da perda transepidérmica de água. O inverno acelera esse processo porque o ar frio retém menos umidade e o aquecimento interno desidrata ainda mais a pele.
Clinicamente, os pacientes relatam sensação de pele repuxada, coceira leve e textura áspera na superfície. A pele geralmente apresenta aspecto opaco e pode desenvolver descamação fina, mais comumente nas pernas, mãos e braços. Em casos mais acentuados, podem ocorrer fissuras, especialmente ao redor das articulações dos dedos ou calcanhares, pois a baixa umidade reduz a elasticidade. A xerose normalmente não apresenta inflamação, a menos que evolua para dermatite irritativa devido ao ato de coçar.
Essa condição geralmente é reversível com a melhora da hidratação e a reparação da barreira cutânea. No entanto, a xerose persistente pode desencadear crises de eczema ou outras doenças inflamatórias da pele, principalmente em indivíduos com uma barreira cutânea já comprometida.

Por que a dermatite atópica piora no inverno?
A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica influenciada por fatores genéticos, imunológicos e ambientais. A baixa umidade enfraquece a barreira cutânea já comprometida de pessoas com dermatite atópica, tornando sua pele mais reativa a irritantes e alérgenos.
As manifestações típicas no inverno incluem aumento do eritema, prurido intenso e placas liquenificadas espessadas devido ao ato crônico de coçar. As áreas de flexão continuam sendo os locais mais comuns, mas o ressecamento do inverno frequentemente causa o envolvimento adicional das mãos e das regiões expostas do rosto. Como a dermatite atópica pode mimetizar outras dermatoses, especialmente no inverno, quando o eczema xerótico é prevalente, a avaliação dermatoscópica auxilia na diferenciação mais precisa.

Como se manifestam as frieiras durante o tempo frio?
A frieira surge de respostas vasculares anormais à exposição ao frio. Quando a pele é exposta a baixas temperaturas, a microcirculação torna-se instável. O reaquecimento rápido pode causar vazamento de pequenos vasos sanguíneos, levando à inflamação da derme superficial.
Clinicamente, as frieiras se manifestam como manchas ou nódulos vermelho-arroxeados nos dedos das mãos e dos pés, orelhas ou outras extremidades. Os pacientes frequentemente descrevem queimação, coceira ou dor. Casos graves podem desenvolver edema ou bolhas. As frieiras são comuns em indivíduos que passam muito tempo em ambientes sem aquecimento ou com roupas de proteção inadequadas. Elas também ocorrem com mais frequência em pessoas com baixo IMC ou sensibilidade vascular subjacente.
A maioria dos casos é idiopática e benigna, embora causas secundárias devam ser descartadas se as lesões forem persistentes ou recorrentes. O inverno é a época de maior incidência devido à exposição prolongada ao frio e à umidade.

Quais características dermatoscópicas ajudam a distinguir essas condições?
A dermatoscopia utiliza uma lupa manual, como a Dermatoscópio IBOOLOA tomografia computadorizada é uma ferramenta auxiliar valiosa no diagnóstico de dermatoses de inverno pigmentadas e não pigmentadas, principalmente por confirmar a presença de microestruturas características e descartar processos infecciosos ou neoplásicos.
A xerose geralmente apresenta um padrão dermatoscópico inespecífico. Não apresenta eritema proeminente e a dermatoscopia geralmente mostra um fundo pálido sem vasos dilatados. No entanto, a ausência de estruturas vasculares inflamatórias significativas a diferencia da inflamação mais ativa da DA e da PMLE.
Na dermatite atópica, a dermatoscopia ajuda a caracterizar o grau de inflamação e ruptura da barreira cutânea. Os achados frequentemente incluem uma rede irregular de escamas finas, brancas a amareladas, correspondentes ao ressecamento da superfície, e vasos pontilhados (semelhantes a pontos) dispersos e proeminentes, indicando inflamação dérmica subjacente. Marcas de escoriação, frequentemente apresentando-se como crostas lineares ou petéquias resultantes do ato de coçar, também são comumente visíveis.
As frieiras apresentam um padrão dermatoscópico único, dominado por patologia vascular. As lesões frequentemente revelam um fundo de eritema difuso com arranjos vasculares proeminentes, densos e irregulares. Dependendo do estágio, podem ser observadas áreas focais de hemorragia (pontos vermelho-púrpura) ou formação de crostas.

Quais são as rotinas diárias essenciais para a saúde da pele no inverno?
Prevenir o agravamento das dermatoses de inverno exige uma abordagem proativa focada na proteção da barreira cutânea contra os efeitos desidratantes do ar frio e seco. A solução é dupla: controle ambiental e cuidados tópicos otimizados.
Controle ambiental: A medida mais eficaz é aumentar a umidade interna. O uso de um umidificador, principalmente no quarto, pode reduzir significativamente a perda transepidérmica de água. Evite superaquecer ambientes internos, pois temperaturas excessivamente altas aumentam o ressecamento do ar. Ao tomar banho, use água morna em vez de água quente e mantenha a duração do banho curta (menos de 10 minutos) para minimizar a remoção dos lipídios da pele.
Cuidados tópicos e vestuário: O uso de emolientes deve ser consistente e generoso. Pomadas são geralmente superiores a cremes ou loções para prevenir o ressecamento no inverno, pois criam uma barreira oclusiva mais eficaz. Para frieiras, a chave é a proteção: use camadas de roupas folgadas e quentes, evite luvas ou sapatos apertados que restrinjam a circulação e, principalmente, aqueça as extremidades gradualmente, em vez de expô-las repentinamente ao calor intenso após estarem frias. Seguindo essas rotinas simples e baseadas na ciência, é possível reduzir significativamente o desconforto e os riscos associados a problemas de pele no inverno.






